Nossas crianças estão se tornando seres cada vez mais visuais!
Aprender a ouvir, voltando toda sua atenção para um estímulo unicamente auditivo pode se tornar uma dificuldade e requer experiências e vivências que estão sendo deixadas de lado.
A utilização de equipamentos eletrônicos condiciona a atenção, que é dominada por uma série de estímulos luminosos que mudam em uma velocidade voraz!
Aliás aprendemos muito cedo e de forma natural, bem antes das temidas aulas de Física, que a luz é mais rápida que o som... O temido trovão é sempre anunciado pela luminosidade do relâmpago, nos levando a proteger nossos ouvidos!
"Estorinhas para ouvir", livro da educadora musical Enny Parejo, pode auxiliar professores, pais e demais profissionais que atuam com crianças a trabalhar a atenção auditiva. Cada uma das belíssimas faixas musicais é precedida por uma história narrada, que direciona a atenção e aguça habilidade de ouvir, despertando o gosto pelo universo musical e arrebatando o ouvinte para uma viagem sonora! Nossa amiga Enny nos deu a dica de como conseguir sue livro:
21 de fevereiro de 2014
Musicoterapiabh - dica da semana com a Desengonçada da Bia!
Brincadeira... A Bia da qual vamos falar não tem nada de desengonçada... Leia e descubra!
A
Federação Mundial de Musicoterapia define esta ciência como: “a utilização da
música e/ou seus elementos por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente
ou grupo, num processo para facilitar e promover a comunicação, relação,
aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos
terapêuticos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas,
emocionais, mentais, sociais e cognitivas.”
A Musicoterapia
já está inscrita no CBO – Código Brasileiro de Ocupações com o número 2263-05,
uma conquista! A regulamentação da profissão e formação de um “Conselho Federal”
e suas autarquias regionais ainda é uma batalha por vencer...
Acredito
piamente que os Musicoterapeutas são os profissionais melhor habilitados para
usar a música e seus elementos nos processosterapêuticos! Mas sendo a Música um patrimônio da humanidade e a reconhecendo como inerente
às relações interpessoais, considero do âmbito do musicoterapeuta,
orientar aos demaisprofissionaisdas áreas da saúde e da educação sobre
um melhor uso deste recurso.
As
atividades aqui descritas poderão ser usadas em muitas situações, mas não
estarão configurando um processo de Musicoterapia. Pensar desta maneira confirmaria
o pouco conhecimento sobre o assunto, visto um processo Musicoterapêutico ir muito além do estamos disponibilizando
aqui.
Acreditamos
que o uso da Música, aqui sugerido para profissionais da saúde, da educação,
para pais e demais pessoas que se interessem, irá promover um reconhecimento
prático do quanto este recurso pode ser precioso! Imagine então como pode ser ainda
mais rico e interessante o processo na Musicoterapia!?
A dica da semana está ancorada na música de nome Desngonçada, do repertório da nossa
querida Bia Bedran, que é amada por todos e só desengonça quando quer! Escute a música e veja a letra:
Bia é Mestre em Ciência da Arte pela UFF (Universidade Federal
Fluminense), professora da UERJ, graduada em Musicoterapia e Educação
Artística, cantora, compositora, contadora de histórias e escritora.Integrante
do Quintal Teatro Infantil de 1973 até início dos anos 80 e do Grupo Musical
“Bloco da Palhoça”, onde mesclava composições suas com uma profunda pesquisa de
ritmos e gêneros musicais do Folclore Brasileiro.
Use a gravação ou se você souber toque para o grupo, a música irá indicar os movimentos, de forma lúdica e muito simples, é quase
impossível não ceder ao embalo. Como o nome mesmo diz, ficam permitidos
movimentos livres e desengonçados! Esta vivência agrada a gregos e troianos de
todas as idades, já fizemos muitos "Doutores" de terno e gravata se permitir desengonçar neste dança! Atividade trabalha esquema e consciência corporal, possibilita a observação da simetria e da
noção do eixo corporal. Direito e esquerdo são conceitos mais elaborados, com
crianças menores seria mais conveniente não dar tanta ênfase, deixe-as apenas
perceber seu corpo.
Você pode oferecer revistas para que os usuários possam recortar partes do corpo aleatoriamente e depois colar sobre uma folha formando uma imagem corporal. Você pode também usar uma cartolina para que cada um desenhe uma parte do corpo... com certeza vai ficar engraçado... mas pessoas com fortes traços de rigidez podem achar muito difícil aceitar o produto final... Atividade de grafismo, coordenação visomotora e orientação espacial.
Em outra oportunidade use a mesma música, mas agora quem está dançando são robôs enferrujados! Como seriam estes dançarinos? Atividade irá proporcionar uma percepção do tônus corporal e propriocepção.
“ONDE CRUZAM MEUS TALENTOS E PAIXÕES COM AS
NECESSIDAS DO MUNDO, LÁ ESTÁ O MEU CAMINHO.”
ARISTÓTELES
15 de fevereiro de 2014
Musicoterapiabh - Love..Love do Tianastácia!
A
percepção do alto grau de motivação e prazer que a música e seus elementos
representam para a maioria das pessoas é um dos motivos mais freqüentes da
procura pela Musicoterapia. Muitos usuários ou mesmo os seus responsáveis
acabam encontrando a Musicoterapia ao buscar de uma atividade que focalize a
expressão artístico-musical como um canal que potencializa a comunicação,
permitindo assim avanços em diversas áreas inerentes ao desenvolvimento do
indivíduo, independente de sua idade ou condição emocional, motora e neurológica.
A
Musicoterapia é um processo clínico que utiliza tanto o som, o silêncio, o
ritmo, o movimento, o timbre, a melodia, além de muitos outros elementos constituintes
do fazer musical,a fim de alcançar propósitos terapêuticos. Nós estaremos enfatizando a abordagem Plurimodal
de Musicoterapia, dentro de perspectiva Neuropsicológica, assim, o termo usuário será utilizado para designar a
pessoa que esta vivenciando o processo da Musicoterapia.
Segundo
ALBINATI 1(2000) “o musicoterapeuta é antes de
tudo um pesquisador em repertório musical. Ao dedicar-se ao uso da música em
terapia, dificilmente ouvirá uma música sem pensar nela como possível objeto
terapêutico. Irá sempre analisá-la do ponto de vista dos materiais, da forma, do
contexto histórico e de prováveis associações
extra musicais...”.
Gena,
a minha amiga “ ALBINATI” sabe tudo!
É
realmente assim que acontece, ouvimos uma música e já estamos vislumbrando sua
utilização clínica!
Foi
assim com a música Love... Love, do Tianastácia - composição de Beto Nastácia.
Além da característica dançante de todo Rock, a música traz marcações rítmicas muito
ricas, tudo isto associado a uma letra que tem como tema o melhor amigo do
homem: nossos amados cães! Confira:
Além
de ser um convite para soltar a voz e o corpo neste embalo alegre, a composição
pode ser utilizada em outras atividades:
·Usando um pandeiro, chocalho ou outro instrumento adaptado
ás condições do usuário, você pode convidá-lo a marcar o pulso de toda a
música, fazendo movimentos diferenciados nos repiques, que estão muito bem
marcados pelo baterista da banda.
Atividade
Psicomotora que trabalha orientação espacial, lateralidade e pares opostos
(acima/abaixo – direita/esquerda).
·Usando imagens das raças de cães que são citadas na letra,
faça um Jogo da Memória2. .Caso seja
necessário para o usuário, você pode iniciar com um número menor de pares, começando
pelas raças que ele conhece, chegando até as sete apresentadas na música e
depois indo mais além. Lembre-se que pode ser preciso fazer as peças do tamanho
apropriado para a acuidade visual do usuário, ou mesmo fazê-las com maior
espessura para facilitar o manuseio e o movimento de pinça!
Atividade
Cognitiva: trabalha reconhecimento dos detalhes que diferenciam as raças (afinal todos são cães...), memória, habilidade visomotras e
ampliação do vocabulário.
·O fim desta canção, na gravação que está no CD Love.., Love
da banda Tianastácia, traz um Elemento Surpresa!3Sim, algo inesperado dentro do contexto da
composição musical que estamos trabalhando, que chama atenção, amplia o foco ou
o redireciona. Nesta música o
Elemento Surpresa nos remete sonoramente a uma corrida desenfreada, como se
estivéssemos sendo perseguidos por um cão, ou vários cães! É hora de sair
correndo e dramatizar a cena! Depois você pode pedir para o usuário desenhar o
cão que ele estava imaginando que corria atrás dele. Será que ele tem cara de
feroz? Ou parece mais um Pet fofinho e indefeso? Lembre que só vale corre neste momento da
música! Se o usuário apresenta problemas de deslocamento, não deambula
(caminha), ele pode correr sem sair do lugar... Sentado, ele pode bater as
palmas das mãos nas pernas sonorizando uma corrida, eles adoram!
Atividade trabalha
habilidades simbólicas, imaginação e representação. Levanta o tema Medo que
poderá ser explorado de várias maneiras. Trabalha também questões psicomotoras,
pois ao correr pela sala é preciso planejar se orientar no espaço. Outro
aspecto é o Freio Inbitório, afinal começar e parar de correr no momento certo
pode ser mais difícil do que parece!
Veja trechos de sessões de
Musicoterapia onde a música: Love...Love
do Tianastácia é usada em processos terapêuticos!
1-ALBINATI, Maria Eugênia C. B. O repertório musical em Musicoterapia. In:
V Encontro Mineiro de Musicoterapia, 2000, Belo Horizonte. Anais...Belo
Horizonte: Associação de Musicoterapia de Minas Gerais, p.3.
Simone Presotti Tibúrcio é Psicóloga formada pela PUC/Minas 1988 (CRP04 8052) e especialista em Aquisição e Desenvolvimento da Linguagem - Pós Graduada pela FAMIH/BH – 1998.
Graduada em Música pela UFMG - Bacharelado em Música com Habilitação em Musicoterapia ESMU - Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (2016). Certificação em Musicoterapia Neurológica pela Robert F. Unkefer – Colorado – EUA. Aprofundamento no Modelo Benenzon pela Fundação Benenzon de Buenos Aires - Argentina (Nível 1).
Atua no campo da psicologia clínica com crianças, adolescentes e orientação familiar. No espaço Musicoterapia BH atende semanalmente pessoas de todas as faixas etárias para o trabalho de musicoterapia. Pioneira no trabalho de Musicoterapia em Minas Gerais, Estado onde atua desde 1988. Fundou, em Belo Horizonte, a AMT- MG / Associação de Musicoterapia de Minas Gerais, na qual fez parte de vários cargos e organizou eventos para divulgação do tema no período de 2001 a 2011.
Autora de artigos e capítulos em livros sobre Musicoterapia e Reabilitação Neurológica publicados em vários idiomas e palestrante em eventos nacionais e internacionais.
Coordena os projetos: 1- Música para Crescer - com grupos inclusivos de estimulação pela música para crianças de 0 a 6 anos e seus pais e cuidadores. 2- Musicando a Escola – IMEPE, com crianças e adultos desde 2007, desenvolvendo trabalho de Musicoterapia Escolar. 3- Mães que cantam, encantam - trabalho gratuito desenvolvido com mães de crianças e adolescentes com necessidade especial em parceria com o projeto Cuidando de Quem Cuida e No Mundinho Azul.
Musicista profissional (OMB-14.810), toca vários instrumentos e compõe de forma livre e divertida.
Co- autora do livro e CD – Caracol e Cia que associa grafismo e música para a estimulação infantil.
Expert da Eduk, autora do curso Brincadeiras Educativas e do Blog Musicoterapia BH.
Coordena o Workshop Musicoterapia BH - Práticas sonoras e musicais e demais oficinas, que ministra regularmente em seu espaço com o objetivo de instrumentalizar os profissionais da saúde e da educação com recurso criativos e consistentes sobre o uso da música.
Consultora e supervisora de projetos relacionados ao uso da música nas áreas da saúde e da educação.